On my own

Porque este aqui é o meu baú de memórias. A caixa forte das minhas lembranças – que espero seja para sempre um lugar seguro… e porque um dia, vou tentar lembrar desta música, dos meus dias de menina, de como uma grande emoção me invadia, e mesmo sem entender a letra, lágrimas rolavam pelo meu rosto.

Lá no fundo da minha memória haverá só um eco… Como pode isso desaparecer de mim? Não! Me recuso. Essa voz, essas palavras, essa menina… isso tudo me pertence e agora tomo posse. Se eu esquecer… passo aqui para lembrar!

 

On My Own

Nikka Costa

Sometimes I wonder where I’ve been
Who I am, do I fit in
Make belivin’ is hard alone
Out here on my own
We’re always provin’ who we are
Always reachin’ for that risin’ star
To guide me far and shine me home,
Out here on my own.

When I’m down and feelin’ blue
I close my eyes so I can be with you
Oh baby, be strong for me,
Baby, belong to me
Help me through, help me need you.

Until the morning sun appears
Making light of all my fears,
I dry the tears I’ve never shown
Out here on my own.

When I’m down and feelin’ blue
I close my eyes so I can be with you
Oh baby, be strong for me,
Baby, belong to me
Help me through, help me need you.

Sometimes I wonder where I’ve been
Who I am, do I fit in.
I may not win but I can’t be thrown,
Out here on my own
Out here on my own, on my own.

O Golpe

Este lugar eu criei para compartilhar inspiração. Hoje profano estas linhas, porque aqui também é um canto onde escrevo o que carrego no coração, e hoje é tristeza.

Gostaria que um dia, quando me falhar a memória, eu possa voltar aqui e ler os textos publicados e não publicados, que traduzem um pouco do que me vai por dentro.

Daqui a muitos anos vou olhar para traz e lembrar que vivi este momento do golpe de estado disfarçado de impeachment no Brasil. E se por acaso eu morrer, antes de poder contar para a minha filha o que se passava na minha cabeça, quais eram os meus sentimentos… o que se dizia na época, bem… decidi fazer uma colagem de coisas que representam estes dias sombrios.

Este é o texto que publiquei no Facebook na noite do Golpe

Estou exausta.
Assisti outro dia um vídeo falando sobre detração – a arte do maldizer, falar mal dos outros. Me dou conta de como isso faz mal para mim: detratar e ser detratada.
Eu fiz uma escolha, eu e mais 54 milhões de brasileiros. Fomos vencidos hoje, por 61.
Eu estou triste, desolada é a melhor palavra. Falo de mim mesma para não falar dele, para não falar deles, que fazem ouvidos moucos… Não ouviram 54 milhões de vozes, porque escutariam uma só?
Não tenho nada de bom para falar do Cunha, do Temer, e de outros senhores e senhoras que ontem me enojaram no senado. Então fico aqui… enchendo a minha vesícula de veneno, e o meu pulmão de tristeza.
Tem tanta gente que eu amo que acha que tudo bem, e eu nem sei o que dizer para eles… Nem sei o que perguntar para eles. Tenho convicção na minha posição. Acredito que eles também tenham nas suas.
Fico buscando dentro de mim a luz que possa me guiar neste momento, em que tudo o que vejo é escuridão. Agir com honradez, a partir do que considero certo e justo, não a partir do rancor, da raiva, da inveja, da vingança.
Que o sono acalme meu coração.
Hoje é 31 de Agosto de 2016, um dia para jamais esquecer, o dia em que um senado repleto de pessoas acusadas por crimes votou pelo afastamento de uma líder eleita nas urnas, sem ter provado que ela tenha cometido qualquer crime.
Hoje foi o dia em que uma pessoa que pode pleitear qualquer cargo público nas próximas eleições foi destituída para dar posse a outra pessoa que está impedida de pleitear cargos públicos pelos próximos 8 anos.
Hoje é o dia em que nosso país sofreu um difícil golpe, o dia em que a minha fé fica abalada, e que tenho muita dificuldade de olhar nos olhos da minha filha com esperança.
Fico imensamente grata pela fé, esperança, beleza e alegria que ela me devolve no olhar.
Amanhã vai ser outro dia, já passamos dias ruins antes.
Vamos arregaçar as mangas, porque eu não conto com nenhum daqueles 61 senadores para construir o país que sonho.
E sim, hoje está difícil, mas amanhã começo a tarefa árdua de alimentar minha habilidade de sonhar.
Boa noite.

Este vídeo traduz o papel da mídia no golpe

Princess Shaw

Ontem de forma descuidada acabei lendo um artigo muito bom na internet, mas desses que deixam o olhar da gente mais sombrio. Me peguei o dia inteiro carregando o peso da preocupação com  o futuro do mundo, e o desânimo da desesperança. Em pleno domingo? Sério?!

Pois é… Mas é quando menos se espera…

Fui assistir um filme totalmente desavisada, e encontrei alimento para a minha alma. Eu sou uma dessas pessoas que acredita (mesmo!) em tudo de bom que há na humanidade, tenho provas constantes de que somos (também) capazes de criar maravilhas.

Meu coração não cabe em mim cada vez que lembro deste ser humano: Kutiman. Ele é um cara, de Israel, que navega pela internet ouvindo músicas e sons, pega tudo isso, recorta e remonta criando belas sinfonias a partir do que muita gente de forma muito generosa pôs no mundo. E ele arremata sua bela obra de arte com elegância compartilhando todos os links dos trabalhos originais. Eu achei isso genial. Maravilhoso. Apaixonante.

Pois… Alguém disse que enquanto vemos imagens e músicas na internet, o Kutiman vê notas musicais. Eu discordo. Eu desconfio que além das notas ele enxerga histórias, e beleza. E é esta beleza que ele compartilha conosco.

Conheci o trabalho do Kutiman por causa do “Presenting Prices Shaw”, um filme um tanto estranho se a gente começa a se perguntar como é que foi feito… Mas deixando essa parte para lá, não tem como não se apaixonar por esta mulher que teve sim uma história cheia de dor e sofrimento, mas cuja alegria e a capacidade de amar são pungentes. Isso fica claro para mim quando ela encontra a ex-namorada, Olivia. Quando encontra pessoas pela rua, quando assiste outros músicos se apresentarem. Sempre fico muito grata e inspiradas por pessoas que mesmo tendo sofrido as maiores brutalidades, mantém a força de seguir amando. Samantha é assim. E sua alegria e charme me lembram muito alguém que amo demais!

Kutiman fazendo o que faz de melhor dá um presente para esta mulher que é como um cobertor quentinho em uma noite chuvosa e fria. É puro amor o que ele faz com a música da Princesa. Eu senti todo esse amor aqui.

Acho que vai demorar muito tempo (espero que sim), para que essa emoção se desvaneça em mim. Desde ontem ela me toma inteira. E eu me sinto mais viva, sabendo que existe gente por ai a fora que alimenta sonhos, que sente medo, que sofre, que ri por bobagens, que valoriza a amizade… Eu vi a estória da Samantha, e não posso deixar de pensar que cada nota naquela canção, carrega em si ao menos uma história… me perco em pensamentos imaginando quem são, caio no sono apaixonada pela humanidade.

Bolo de aipim

A receita é a mesma da minha mãe, mas quem me passou foi aquela amiga, bem mais jovem do que eu, mas que tem o tipo de sabedoria ancestral no que se refere a culinária baiana. Eu desconfio que ela já nasceu velha e cozinhando!🙂

O bolo é simplesmente maravilhoso, e nesta época do ano, eu diria que nenhum baiano, especialmente os da diáspora, pode viver sem um bom pedaço.

O que vai no bolo

1 kg de aipim ralado;

2 xic. de açúcar;

250gr de manteiga; Eu uso 200gr;

4 ovos;

1 pitada de sal;

1 garrafa de leite de coco Sococo – Não é merchandising…todo mundo que eu conheço e que cozinha bem diz que só existe uma marca boa de leite de coco!

 

Como fazer

Bater o açúcar com a manteiga, incorporar os ovos, colocar o aipim e o leite de coco, provar e depois colocar uma pitada de sal. Fica gostoso se vc colocar meio pacote de coco ralado. untar a fôrma só com manteiga e colocar a massa. Separar a parte um pouquinho de leite de coco e misturar com 1 colher de açúcar para regar o bolo à medida que for assando, isso faz um caramelado delicioso sobre o bolo, é um detalhe imperdível!

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Dia esperado, desejado… Agora ela já antecipa e sonha com o que está por vir. Não é ansiosa… é intensa a menininha que corre pela nossa casa, que dança pela sala, rodopia gargalhando.

Hoje o dia começou alegre por aqui, celebrando Nina e seguindo à risca a tradição da família. E como não podia faltar, bolo de chocolate.

 

 

A primeira carta

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Achei que a Lia tinha caído ou qualquer coisa do tipo… pelo grito que ela deu quando abriu a caixa de correspondência. Lá dentro um tesouro: sua primeira carta.

Leu dezenas de vezes, com um sorriso estampado no rosto, de vez em quando uma pergunta: “mãe, o que é capenga?”. A carta era mesmo um tesouro, escrita com tanto carinho, compartilhando uma paixão e fortalecendo ainda mais o amor que já é tão grande entre estas duas partes vivas da minha história: minha irmã e minha filha.

Ela foi dormir com o coração cheio, e disse: “esperei tanto por esta carta… mas ela é tão maravilhosa, valeu a pena esperar”. E de repente me veio a nostalgia enorme das longas esperas pelo carteiro a quem eu chamava pelo nome e que me trazia cartas do Brasil a fora: vinham da Valéria do Rio de Janeiro cheias de desenhos de embasbacar, da Paola de São Paulo com aquela letra maravilhosa, do João do Ceará com graças e provocações, do Rodrigo do Guarujá inundadas de encantamento e uma amizade sem fim. E claro, a cada três dias uma carta do Leandro carregando dentro de cada uma delas dois corações absolutamente apaixonados.

A vida naqueles dias se alternavam entre encontros intensos e iluminados de amor e amizade, separados por uma doce espera cheia de saudades.

Cartas são pontes que nos ligam aos outros e a nós mesmos.

Uma dose de poesia todo dia

Pode ser sob qualquer forma: beleza que entra pelos olhos, pelos ouvidos, pela alma… Mas já notei que meus dias são melhores quando eles têm um toque de poesia.

A minha dose de hoje chegou pelas mãos (virtuais) de uma amiga querida, e não poderiam ser mais parecidas com cenas cotidianas que testemunho todos os dias. Vistas assim, delineadas pela suavidade das cores usadas pela artista plástica Snezhana Soosh dá até para crer que é poesia… ou não é?

*este post foi inspirado pelo post do Catraca Livre… lá tem sempre muita coisa boa, confere aqui: https://goo.gl/RzYbvm
*Todas as imagens são propriedade intelectual da artista plástica Snezhana Soosh. Não encontrei nada sobre ela no Google (really?!), além do seu Instagram onde é possível ver muito da beleza que ela produz.

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