A luz de cada um

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*foto de Ariane Mates

Hoje pela manhã o Leandro foi à igreja Luterana e levou as crianças. Eu que não sou muito de igrejas, me juntei mais tarde, para o almoço. Gosto do clima comunitário que preenchem estes encontros da comunidade luterana: as flores na mesa, as toalhas quadriculadas, a comida caseira… Isso tudo me lembrou muito os 8 anos que vivemos no sul e me lembrou também a descrição que ouvi recentemente sobre espiritualidade como a habilidade de cultivar uma certa atitude de reverência, e porque não, devoção, à vida, a algo superior ou misterioso, que conecta a nós todos.

Eu concordo com isso. Eu sinto isso cada vez que encontro uma comunidade para conhecer a horta que plantaram, para degustar o pão que produziram na padaria comunitária, para celebrar o que fomos capazes de realizar juntos. E cada vez me emociono.

E na fase em que estou, esta é mais uma surpreendente descoberta sobre mim mesma. Eu que não sigo qualquer religião, que não tenho ânimo de ir à igreja, me vejo completamente enredada, tocada, iluminada, por estes pequenos, ou grandes, ritos de gratidão e fé. Tenho fé no ser humano, tenho fé nas comunidades, tenho fé no amor e na bondade que habita os nossos corações e que é capaz de nos apoiar e amparar em qualquer adversidade.

Sei que existem muitos nomes para isso, eu, pessoa simplista que sou, chamo Deus. Abomino cada guerra e cada briga que iniciamos para garantir uma visão ou crença sobre outra. E subitamente percebo que é mais fácil falar do que fazer.

Cada dia tenho a oportunidade de fortalecer e revisitar meu conjunto de premissas sem guerrear com os outros por causa do que me é tão valioso, reconhecendo que diante de mim está outro ser humano defendendo algo precioso para si.

Nem sempre consigo.

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3 thoughts on “A luz de cada um

  1. Lindo texto Val. Se desarmarmos nossos corações e olharmos que são pessoas tentando realizar algo em comunidade podemos encher nossos corações de gratidão.

  2. “os momentos ritualizados que celebram as diferenças entre membros de uma comunidade, que afirmam o valor especial de cada pessoa, podem diminuir o ácido da comparação invejosa e promover a cooperação” Richard Sennet no livro Juntos
    cada um com seu valor especial, cada grupo com seu ritual, e todos nós vivendo as diferenças em harmonia, juntos. 🙂
    Lindo texto, Val!

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