Reflexões de domingo

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Quem são as pessoas que você admira, o que elas dizem sobre quem você é?

Ouvi esta pergunta e me surpreendi com a minha lista de pessoas… ela começa de forma pouco original com Gandhi. Como não admirá-lo? Em seguida Luther King pelo motivos óbvios: sua atuação no movimento dos direitos civis nos EUA. e sua habilidade com as palavras, sua capacidade de mobilizar os sonhos dentro das pessoas. Tem ainda a Frida Khalo, pela arte, pelas ideias e pelo bigode…

A partir dai minha lista ganha outro rumo… uma lista de pessoas anônimas que animam e alimentam a minha alma. Minha mãe, pela vida que vive e viveu, pela simplicidade, pela coragem e pela clareza que sempre teve sobre qual o caminho certo a seguir. Minha irmã pela alegria, pela beleza, por ser a melhor tia do mundo e pelo compromisso que assume, e cumpre até o fim, com quem ama. A lista é enorme: tem crianças a adultos, gente viva e gente que já morreu, gente que vejo todos os dias e alguns que só no meu coração acompanho… e tem até gente de quem discordo…

E o que isso tudo diz sobre mim?

Gosto de pensar que sou uma pessoa comum. Sei que sou. Ultimamente (já fazem uns 10 anos) descobri que ninguém quer ser comum, e que ser comum é quase um crime. Resultado: tenho feito de tudo para ser qualquer outra coisa… É mais fácil esconder o que de ordinário há em mim com uma capa de singularidade, o que aprendi a fazer bem. Mas de verdade quanto mais penso, quanto mais vivo nessa minha pele, mas se torna claro para mim o que de verdade importa: eu sou uma pessoa absolutamente comum e eu gosto imensamente de gente. Gosto da intimidade profunda que pode existir entre as pessoas, amizades inesperadas, conversas significativas. Me descubro humana no contato com o outro. Quando isso acontece, tenho uma sensação de êxtase. O melhor de mim aflora e até sou capaz de fazer coisas incríveis. Por que não estou nem ai, estou no fluxo.

Às vezes este estado surge na adversidade, às vezes na bonança. Mas o fato é que sempre acontece com gente do meu lado. O inferno para mim é um lugar deserto de almas humanas. E isso por si só já diz tanto sobre mim.

Mas se é assim, porque às vezes tenho uma fome imensa de solidão? De estar comigo, com meus papéis, minhas músicas, minha costura – e porque não? – meu trabalho. Eu tenho dias assim. E egoísta que sou usufruo deles.

Parece que como tudo o que é vivo, eu também tenho mais de um lado. Eu e outros 7 bilhões de pessoas.

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