Quem é Maju?

Eu não assisto tv. Não é por nenhuma moda, nem por nenhuma questão ideológica. Eu só não aguento. É dolorido demais para mim. E por causa disso fico sabendo das coisas que acontecem no mundo com um certo atraso, o que às vezes me é muito conveniente.

Soube ontem do último caso que anda incendiando as discussões nas redes sociais: o caso da Maju. De verdade eu não me choco mais com expressões de racismo ou preconceito de qualquer natureza. Eu fico triste, eu fico indignada, eu fico brava… fico mais do que tudo triste. Mas não me surpreendo.

Indo um pouquinho mais a fundo, vejo que na verdade eu não entendo. Quer dizer, eu entendo muito bem que a gente julgue outra pessoa a partir dos nossos valores, acho normal, acredito que todos nós fazemos isso em maior ou menor grau. Mas dai a ofender-se pela presença, ou pela simples existência do outro? Pelo sucesso ou felicidade que o outro alcança? Acreditar que alguém diferente de mim, seja pela sua cor, posição social ou opção sexual, não tem o direito, ou não merece casar-se com quem ama, frequentar lugares legais, ter o emprego dos seus sonhos… Eu não entendo.

Isso é contra tudo o que acredito e tudo pelo que eu trabalho todos os dias da minha vida. É contra o que eu ensino às minhas filhas.

Me pergunto se as pessoas seriam capazes de dizer estas barbaridades olhando nos olhos de outra pessoa…

Eu sou negra e saber disso mudou a minha vida. Eu gosto de ser negra, então se você algum dia tiver que me descrever pode falar assim: aquela negra que tem um cabelo o cabelo crespo, meio amarelo. Não fico ofendida. Esta sou eu mesma. Também pode me chamar de sarará… sou mesmo, porque minha pele é meio amarelada e o cabelo também (hoje mais exagerado, mas naturalmente era assim também, que nem a juba de um leão).

Mais importante do que qual é a cor da minha pele, se aliso ou não o meu cabelo, eu sou uma pessoa. Eu penso. Eu sinto. Como todo mundo. E ouso dizer que continuaria sendo essencialmente humana, com uma pele de outra cor.

Cabeleira

Eu escolho duvidar de qualquer premissa que me faça crer que outro ser humano vale menos do que eu. Eu escolho duvidar de qualquer premissa que me faça crer que outro ser humano vale mais do que eu. Preciso repetir isso um milhão de vezes, é meu mantra.

* Daqui a muito tempo sei que ninguém sequer vai acreditar que uma situação assim aconteceu. Por isso um breve resumo: Maju Coutinho é jornalista da Rede Globo de Televisão, e apresenta o quadro do tempo do Jornal Nacional. Começou a receber uma enxurrada de comentários racistas através do facebook, o que gerou uma comoção nacional nas redes sociais.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s