A primeira carta

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Achei que a Lia tinha caído ou qualquer coisa do tipo… pelo grito que ela deu quando abriu a caixa de correspondência. Lá dentro um tesouro: sua primeira carta.

Leu dezenas de vezes, com um sorriso estampado no rosto, de vez em quando uma pergunta: “mãe, o que é capenga?”. A carta era mesmo um tesouro, escrita com tanto carinho, compartilhando uma paixão e fortalecendo ainda mais o amor que já é tão grande entre estas duas partes vivas da minha história: minha irmã e minha filha.

Ela foi dormir com o coração cheio, e disse: “esperei tanto por esta carta… mas ela é tão maravilhosa, valeu a pena esperar”. E de repente me veio a nostalgia enorme das longas esperas pelo carteiro a quem eu chamava pelo nome e que me trazia cartas do Brasil a fora: vinham da Valéria do Rio de Janeiro cheias de desenhos de embasbacar, da Paola de São Paulo com aquela letra maravilhosa, do João do Ceará com graças e provocações, do Rodrigo do Guarujá inundadas de encantamento e uma amizade sem fim. E claro, a cada três dias uma carta do Leandro carregando dentro de cada uma delas dois corações absolutamente apaixonados.

A vida naqueles dias se alternavam entre encontros intensos e iluminados de amor e amizade, separados por uma doce espera cheia de saudades.

Cartas são pontes que nos ligam aos outros e a nós mesmos.

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