1 ano

 

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Aprendi com um amigo, que aprendeu com outro amigo, esta peça de sabedoria: “A coesão se dá quando há partilha”. Estas palavras, hoje, mais do que nunca fizeram sentido para mim e me ensinaram da forma mais profunda que a alegria plena é vivida em comunidade.

Partilhamos e celebramos. Teve gente que foi a São Paulo buscar flores, houve gente que plantou, gente que assou, que comprou, que montou, que arrumou, cantou, ensaiou, ajeitou, cortou e pendurou. Teve gente que desmontou, organizou, limpou. Teve gente que confiou e que acolheu. Esta escola é fruto de doação e de colaboração.

Juntos celebramos e usufruímos da beleza e da riqueza que existe na nossa comunidade.

A nossa escola completa um ano de vida, e como disse uma das crianças: “Agora ela vai começar a andar”.

O Theo, que só tem 3 anos, me lembrou algo muito importante: estamos no inicio da nossa vida, passando por aquelas conquistas que são o fundamento e a base de quem nos tornaremos quando formos adultos. Crescemos e aprendemos um pouco a cada dia. Juntos.

Sou Val Rocha, mãe de Lia e Nina. Na pedagogia Waldorf encontrei acalento para minha alma, para a busca de uma forma de educar as minhas filhas que fosse alinhada com os meus valores. Quase perdi isso quando descobri que não havia ensino fundamental Waldorf em Santos, por sorte, ou por destino, me vi entre pessoas loucas o suficiente para criar uma nova escola, uma escola associativa, uma escola de todos nós. Este é só mais um capítulo da nossa história.

 

 

 

Princess Shaw

Ontem de forma descuidada acabei lendo um artigo muito bom na internet, mas desses que deixam o olhar da gente mais sombrio. Me peguei o dia inteiro carregando o peso da preocupação com  o futuro do mundo, e o desânimo da desesperança. Em pleno domingo? Sério?!

Pois é… Mas é quando menos se espera…

Fui assistir um filme totalmente desavisada, e encontrei alimento para a minha alma. Eu sou uma dessas pessoas que acredita (mesmo!) em tudo de bom que há na humanidade, tenho provas constantes de que somos (também) capazes de criar maravilhas.

Meu coração não cabe em mim cada vez que lembro deste ser humano: Kutiman. Ele é um cara, de Israel, que navega pela internet ouvindo músicas e sons, pega tudo isso, recorta e remonta criando belas sinfonias a partir do que muita gente de forma muito generosa pôs no mundo. E ele arremata sua bela obra de arte com elegância compartilhando todos os links dos trabalhos originais. Eu achei isso genial. Maravilhoso. Apaixonante.

Pois… Alguém disse que enquanto vemos imagens e músicas na internet, o Kutiman vê notas musicais. Eu discordo. Eu desconfio que além das notas ele enxerga histórias, e beleza. E é esta beleza que ele compartilha conosco.

Conheci o trabalho do Kutiman por causa do “Presenting Prices Shaw”, um filme um tanto estranho se a gente começa a se perguntar como é que foi feito… Mas deixando essa parte para lá, não tem como não se apaixonar por esta mulher que teve sim uma história cheia de dor e sofrimento, mas cuja alegria e a capacidade de amar são pungentes. Isso fica claro para mim quando ela encontra a ex-namorada, Olivia. Quando encontra pessoas pela rua, quando assiste outros músicos se apresentarem. Sempre fico muito grata e inspiradas por pessoas que mesmo tendo sofrido as maiores brutalidades, mantém a força de seguir amando. Samantha é assim. E sua alegria e charme me lembram muito alguém que amo demais!

Kutiman fazendo o que faz de melhor dá um presente para esta mulher que é como um cobertor quentinho em uma noite chuvosa e fria. É puro amor o que ele faz com a música da Princesa. Eu senti todo esse amor aqui.

Acho que vai demorar muito tempo (espero que sim), para que essa emoção se desvaneça em mim. Desde ontem ela me toma inteira. E eu me sinto mais viva, sabendo que existe gente por ai a fora que alimenta sonhos, que sente medo, que sofre, que ri por bobagens, que valoriza a amizade… Eu vi a estória da Samantha, e não posso deixar de pensar que cada nota naquela canção, carrega em si ao menos uma história… me perco em pensamentos imaginando quem são, caio no sono apaixonada pela humanidade.

Reflexões de domingo

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Quem são as pessoas que você admira, o que elas dizem sobre quem você é?

Ouvi esta pergunta e me surpreendi com a minha lista de pessoas… ela começa de forma pouco original com Gandhi. Como não admirá-lo? Em seguida Luther King pelo motivos óbvios: sua atuação no movimento dos direitos civis nos EUA. e sua habilidade com as palavras, sua capacidade de mobilizar os sonhos dentro das pessoas. Tem ainda a Frida Khalo, pela arte, pelas ideias e pelo bigode…

A partir dai minha lista ganha outro rumo… uma lista de pessoas anônimas que animam e alimentam a minha alma. Minha mãe, pela vida que vive e viveu, pela simplicidade, pela coragem e pela clareza que sempre teve sobre qual o caminho certo a seguir. Minha irmã pela alegria, pela beleza, por ser a melhor tia do mundo e pelo compromisso que assume, e cumpre até o fim, com quem ama. A lista é enorme: tem crianças a adultos, gente viva e gente que já morreu, gente que vejo todos os dias e alguns que só no meu coração acompanho… e tem até gente de quem discordo…

E o que isso tudo diz sobre mim?

Gosto de pensar que sou uma pessoa comum. Sei que sou. Ultimamente (já fazem uns 10 anos) descobri que ninguém quer ser comum, e que ser comum é quase um crime. Resultado: tenho feito de tudo para ser qualquer outra coisa… É mais fácil esconder o que de ordinário há em mim com uma capa de singularidade, o que aprendi a fazer bem. Mas de verdade quanto mais penso, quanto mais vivo nessa minha pele, mas se torna claro para mim o que de verdade importa: eu sou uma pessoa absolutamente comum e eu gosto imensamente de gente. Gosto da intimidade profunda que pode existir entre as pessoas, amizades inesperadas, conversas significativas. Me descubro humana no contato com o outro. Quando isso acontece, tenho uma sensação de êxtase. O melhor de mim aflora e até sou capaz de fazer coisas incríveis. Por que não estou nem ai, estou no fluxo.

Às vezes este estado surge na adversidade, às vezes na bonança. Mas o fato é que sempre acontece com gente do meu lado. O inferno para mim é um lugar deserto de almas humanas. E isso por si só já diz tanto sobre mim.

Mas se é assim, porque às vezes tenho uma fome imensa de solidão? De estar comigo, com meus papéis, minhas músicas, minha costura – e porque não? – meu trabalho. Eu tenho dias assim. E egoísta que sou usufruo deles.

Parece que como tudo o que é vivo, eu também tenho mais de um lado. Eu e outros 7 bilhões de pessoas.

Personal Journey # Day 2

Será que estou no caminho certo?

É tudo uma questão de escutar o seu chamado, de acordo com Rob Dreaming (mesmo?! quem tem um nome assim???) – convidado do dia na Jornada Pessoal da IM Magazine.

E para ser honesta eu não poderia concordar mais. O difícil é escutar o tal chamado, ou ainda, reconhecer no meio de todos os ruídos, toda a informação, todos os desejos e sonhos, O Chamado. Para mim é uma sensação que tenho quando estou fazendo a coisa certa, não importa se grande ou pequena, se deu certo ou não… é uma sensação muito forte de que tudo está no mais perfeito lugar. Isso é engraçado porque esta semana ouvi pela terceira vez a frase: Nós somos aqueles por quem estávamos esperando. A sensação que tenho quando me aproximo do meu propósito é exatamente esta: de que eu sou exatamente quem eu deveria ser, e me basto.

Pelo menos naquele momento.

*Music: Spiraling Into The Center, I’ve learned from a friend a long time ago. The music came as a gift. The lirics, the voice, and the eyes… yes, I guess I’ll never forget the sweetness of those eyes that inspired and keep inspiring me… and have no idea of how greatfull I am… Following Mr. Dreamings advice: Ariane I am greatfull for all the beauty and kindness you bring into the world. Everyday.

Personal Journey #day1

Aceitei um convite misterioso para participar de uma aventura: uma jornada pessoal, por 21 dias. O convite veio de fonte muito confiável, há alguns anos conheço e gosto muito da IM Magazine, uma revista portuguesa focada em relatar o que de melhor acontece no mundo para criar o melhor dos mundos.

E como prometido recebi a minha primeira peça de inspiração hoje, por e-mail 🙂

O anfitrião do dia é Paul Huges, que com voz suave nos convida a uma jornada rumo ao interior de cada um, mais tempo olhando para dentro de nós, com a promessa de retornarmos à casa com uma bagagem enriquecedora. Não poderia ser mais desafiador e ao mesmo tempo inspirador.

A jornada é pessoal e intransferível, sentei no melhor lugar, com a melhor vista e muita disposição para desbravar essas paisagens de mim mesma.

* para saber mais sobre o projeto acesse: http://www.magazineim.com/home/index.php/21-steps-change/

O buraco da minhoca

Achei muito engraçado este termo a primeira vez que ouvi… Me dou conta que sei muito pouco desta faceta da ciência, que é capaz desse tipo de criatividade e humor.

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O nome é engraçado, e a definição é tão louca que parece saída de uma das páginas de Alice no país das maravilhas… ou será o contrário? Acho bem possível que o tal coelho é que tenha saído do buraco da minhoca e atravessado dimensões para chegar até a Alice… Ahá! Tudo explicado… me pergunto o quanto Lewis Carroll conhecia de física!

Esse tema surgiu na minha cabeça por causa de um filme que assisti no final de semana, e teve tudo a ver com um tanto de acontecimentos maravilhosos e assustadores que aconteceram estes últimos dias. Realmente não é tão fora da realidade assim esta ideia de que existe um caminho mágico com duas bocas capaz de ligar e transpor grandes, incomensuráveis, distâncias no tempo e no espaço.

Transportar matéria através do tempo e do espaço… impossível? Possível. Entrei em um buraco de minhoca este final de semana e de repente me vi em outra dimensão, revisitando e reconectando dois mundos. De repente estávamos eu e Adriana – minha amiga de loooonga data, uma das pessoas que mais me conhece no mundo, uma das pessoas que mais amo no mundo – rindo a risada que riamos a mil anos, e chorando as lágrimas que choramos a mil anos… e ao mesmo tempo criando o novo, um presente que fortalece e alimenta a nossa amizade.

Como sempre, uma das melhores formas de explicar uma experiência para mim é a música, e este final de semana teve a sua trilha sonora. Adoro Caetano Veloso e sua poesia, e dentre tantas músicas que amo, tem uma que nunca consigo decorar, ouvi outra versão, muito diferente da original e mesmo assim maravilhosa.

em 1979 esta música soava assim

Mas se agente entrar no buraco da minhoca, passar pelo fim da ditadura, virar a esquerda na eleição do Lula, à direita de novo com o atentado aos Estados Unidos, curva fechada após o advento do aquecimento global e passar pela parte esburacada que estamos atravessando, saímos do outro lado do buraco bem a tempo de escutar os acordes da Scambo dando uma nova roupagem para uma antiga música que continua falando muito à minha alma:

Realmente esse conceito traz luz ao que nem sempre é fácil de compreender… pessoas que são mais de uma coisa e tem mais de uma “dimensão”, situações e sentimentos idem. E antes que este post já tão confuso fique ainda pior… fui!

Adorei esse tal buraco de minhoca… está nos meus planos entrar e sair mais vezes dele e me surpreender e encantar com velhos e novos lugares dentro da minha alma.

* O Filme, para que não fique faltando informação, se chama Interestelar – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-114782/

O presente

Nunca gostei muito dele… toda vez que o ouvia falar, tudo nele me parecia exagerado: o sotaque, os gestos, o brilho no olhar e principalmente o entusiasmo. Quando ouvia o Waly Salomão, algo em mim se inquietava a ponto de eu não suportar ver qualquer coisa sobre ele. Pronto, falei.

Mas porque?!

Era uma vida tão intensa que parecia pulsar naquele homem, que me amedrontava, acho eu. Se aquilo era viver, o que andava eu fazendo? Fiquei muito tempo sem saber dele. E nunca nos cruzamos, quer dizer, ele nunca soube da minha existência, ou da sua influência sobre ela.

Eis que hoje, zapeando pela televisão para espantar o mal humor, me deparo com os mesmos trejeitos, mesmo exagero no expressar-se, e o sotaque evidenciado – está falando o inglês mais abaianado que já escutei.

Ele é todo paixão e todo vida, encanta o entrevistador. Compartilha sua visão sobre a poesia e pela primeira vez me entrego a esta sedução, quando – a pedido do entrevistador – ele canta Mel.

Era um poeta. Viveu intensamente. E nossa língua se empresta e serve vaidosa a esse poeta. Hoje me curvo à poesia exagerada, exuberante e maravilhosa de Waly Salomão. Na minha cabeça a sua imagem sorridente a repetir “e agarro o sol com a mão, e agarro o sol com a mão”, para a tradutora que tinha a missão impossível de traduzir não apenas aquelas palavras para o árabe, mas a vida e a poesia que as impregnava. Como?!

Mel

Letra Waly Salomão e Música de Caetano Veloso

Ó abelha rainha faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória
Pois se é noite de completa escuridão
Provo do favo de teu mel
Cavo a direita claridade do céu
E agarro o sol com a mão
É meio-dia, é meia-noite, é toda hora
Lambe olhos, torce cabelos, feiticeira vamo-nos embora
É meio-dia, é meia-noite, faz zumzum na testa
Na janela, na fresta da telha
Pela escada, pela porta, pela estrada toda a fora
Anima de vida o seio da floresta
O amor empresta a praia deserta zumbe na orelha, concha do mar
Ó abelha, boca de mel, carmin, carnuda, vermelha
Ó abelha rainha faz de mim um instrumento do seu prazer

 * infelizmente nem sei que canal eu estava, que dirá que programa… O fato é que ele salvou meu dia!