À mesa

Uma das grandes mudanças que aconteceram na minha vida, com a maternidade, foi a mesa. A mesa posta. As refeições à mesa.

Até hoje não sei onde colocar os talheres, quando quero acertar pesquiso no pinterest e confesso que o jeito que me é natural não é o que orienta a etiqueta… Pouco me importa.

Tenho lá os meus requintes: gosto de flores frescas e muitas, não podem faltar… gosto de louça e talheres de qualidade, uma toalha de algodão, macia e gostosa de tocar e guardanapos de tecido, claro! Isso não é todo dia. Tem dias especiais…

Para o domingo de Páscoa me dei conta, às 11 da noite, que apesar de todos os cuidados e dos enfeites que comprei para surpreender as meninas faltariam os guardanapos de tecido. Não sei onde se enfiaram, mas não achei mais do que 2 da cor que queria. Sem problemas: fui aprender como fazer um guardanapo mitrado e costurei 4 naquela noite. Quando terminei de montar a mesa, preparar os waffles, fazer os guardanapos, etc., eram 2 da manhã.

Foi ai que tive a epifania… Enquanto costurava comecei a me perguntar porque esta fixação com a mesa posta, com a mesa bela, logo eu… logo eu que não tive uma refeição ao redor da mesa com a família reunida até entrar na vida adulta. A primeira vez que tive direito de sentar à mesa da minha avó, foi quando apresentei o meu namorado (hoje marido) à família. Antes sentava com os demais, espalhados pelo quintal da casa de minha avó. No fundo no fundo eu pensava: um dia vou ter uma família e vamos sentar à mesa. Eu achava que famílias que funcionavam sentavam à mesa e faziam as refeições junto.

Hoje sei que não é bem assim. Mas dou razão à pequena Val, o rito de reunir-se ao redor da mesa é uma das formas de estar junto, conviver, desfrutar da companhia um do outro e assim se reconhecer.

Trazer isso à consciência me ajuda também a compreender que tanto faz a mesa, tanto faz os talheres, tanto faz o que comemos… que estejamos em circulo, que estejamos frente a frente um com o outro, que nos olhemos nos olhos, ainda que seja para discordar… ai construímos a nossa família.

Por mais que me alegre preencher de beleza a mesa ao redor da qual sentamos, é a matéria invisível que nos conecta que quero seguir cultivando.

Feliz Páscoa!

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mesa posta

Vívida

Que tem vivacidade.Brilhante, fulgurante.Vivo, ardente.Que ilumina, que esclarece.Que tem cores vivas.

Nos últimos meses assisto à sua transformação: ela está crescendo. Em alguns meses vai completar 5 anos e tem alguma coisa que se transforma muito na criança nesta idade. Ninguém me contou isso e nem eu estudei nada. Eu vejo na Nina.

“Já que isso, então aquilo”. Esta é a frase do mês. Nitidamente ela começa a analisar situações e tirar suas conclusões. Às vezes são lógicas e outras vezes são hilárias.

“Já que vocês são os melhores pais do mundo, e cozinham coisas que nós não sabemos… são os melhores pais cozinheiros do mundo!”

Do alto dos seus -quase – 5 anos de vida muito bem vividos, ela vai construindo o seu conhecimento sobre a vida. Escolhendo o que gosta, e se maravilhando com cada descoberta. Ama música e se divide entre a clássica, MC Sofia, Sia, Titãs,Nico Nicolaiewsky e outras tantas…

Ela sempre foi uma criança do movimento, agitada. Nina Furacão. E continua sendo 🙂

Mas a encontro mais concentrada estes dias. Anda apaixonada pela dança, pelo movimento e pela recém adquirida habilidade de criar suas coreografias, que aliás requerem uma certa pompa: Não começa a dançar sem escolher a música, sem colocar a roupa, sem afastar as poltronas e trazer a cadeira  – seu objeto de cena favorito.

Eu me delicio assistindo sua dança, com a sensação de que bem ali, diante dos meus olhos se revela o mistério da vida. E como ela é bonita.


O Arco de flores

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Por volta dos 6 anos de idade as crianças começam a perder os seus dentes de leite. Essa mudança física e aparente nos revela transformações que acontecem também na alma e na psiquê da criança. Na pedagogia Waldorf entende-se que este é o momento em que a criança está pronta para uma nova fase de aprendizado: assumir responsabilidades, treinar sua memória, lidar com a abstração… Estas habilidades se somam e materializam no processo de aprender a ler e escrever.

O arco de Flores

Esta fase é linda, um desabrochar que revelou novos aspectos de criança com quem eu já convivia a tanto tempo. Ela também traz desafios, alguns a serem superados como família, outros pelos pais, mas sem dúvida é uma fase que apresenta desafios a serem superados pela própria criança, utilizando os recursos que existem dentro dela.

Na pedagogia Waldorf este processo é representado pelo Arco de Flores, a cerimônia de boas vindas para os alunos que começam no 1o ano fundamental: ao som de uma bela música, os pais conduzem a criança até o belo arco de flores, param alguns passos antes do arco e observam enquanto seu filho ou sua filha ultrapassa por suas próprias pernas aquele arco para ser recebido do outro lado pela sua professora do fundamental.

A distância é mínima e não há qualquer risco real no percurso. Mas do outro lado está o desconhecido. A emoção toma conta de todos e para mim é um momento que levarei para sempre no meu coração. Desde a travessia do arco de flores vejo a Lia desabrochar novas facetas da sua personalidade, e fortalecer a sua autoconfiança, descobrir talentos e reconhecer limites.

Antes disso eu não tinha a menor consciência do quão marcante este momento seria na vida da nossa família e mesmo agora, quando pesquiso informações sobre o tema, não é que encontre muitas fontes.

No dia 19 de setembro a professora Ana Lúcia Gallo ao lado das professoras Ivani Blanco e Maria Cristina Gomes recebem pais e mães que estão vivendo ou prestes a viver esta transformação para falar sobre a transição da criança pequena para o fundamental sob a ótica da pedagogia Waldorf.

Independente de linha pedagógica que você escolheu, indico este evento para todos. Acho uma oportunidade imperdível para pais de crianças pequenas.

convite evento wladorf

Eu trabalho e levo minhas filhas à tiracolo

Adoro o meu trabalho. Sempre adorei, mas confesso que quando engravidei pensei, e agora?!

Engravidei ao mesmo tempo que outra pessoa do Elos, nossas filhas nasceram com 18 dias de diferença e decidimos contratar uma pessoa para cuidar das crianças no escritório. O que começou como uma iniciativa de duas mães, hoje é uma política da organização. Temos 5 crianças de 2 a 7 anos que convivem em harmonia, têm seu próprio espaço, mantém uma rotina: almoçam, brincam, dormem, fazem tarefa de casa e convivem de perto com os pais.

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Tivemos algumas surpresas neste processo, para mim, a maior delas foi o quanto as crianças acrescentam à vida de todos que trabalham no escritório e vice-versa. Volta meia vejo alguém descendo as escadas para jogar futebol com as crianças, cantando com elas ou contando histórias.

Trabalhar sabendo que as suas filhas estão logo ali embaixo transforma a minha vida. E impacta completamente a qualidade da minha presença e dedicação ao que faço.

Me pergunto o que seria necessário para que toda mulher tivesse esta possibilidade.Captura de Tela 2015-07-06 às 10.25.29

Uma escola e um sonho

Tenho duas filhas. E o fato de ter me tornado mãe mudou a minha vida para sempre.

Estou completamente consciente do quão piegas é esta frase. O quanto foi repetida e está desgastada. Mas ao mesmo tempo não vejo outra forma de colocar. Tenho aprendido muito sobre a vida e as relações humanas desde que me tornei mãe. Eu não sou uma daquelas pessoas que sempre tiveram o instinto maternal aflorado ou jeito com criança. Acredite, estou aprendendo.

Nesta jornada de aprender fazendo, há três anos me apaixonei pela Pedagogia Waldorf, uma paixão que cresceu imensamente desde que a minha filha mais velha entrou para o fundamental.

A beleza, a suavidade e a leveza são equilibrados com disciplina, responsabilidade e compromisso. Ana Lúcia Gallo é oficialmente a professora da Lia, e extra-oficialmente a professora de toda nossa família. Ela ganhou a minha simpatia e respeito quando me apresentou com muito carinho o fundamental Waldorf, e ganhou minha admiração profunda quando nos recebeu em sua sala de aula para dizer que a Lia passou para o 2o ano fundamental. Ela não fez isso com um boletim cheio de notas, mas com um boletim escrito a mão (SIM, é válido no MEC!) explicando detalhadamente o comportamento da minha filha, suas qualidades e seus desafios, assim como suas conquistas. Para celebrar um poema, único, um presente da Ana para a Lia. Não qualquer poema, mas um que capturava a sua essência. Não pude conter as lágrimas, mas não foi previlégio meu, todos os outros pais e mães estavam na mesma situação.

boletim 1o Fundamental

Para quem me pergunta como ela vai se preparar para a vida se passa o tempo só brincando… bem, eu posso mostrar parte do trabalho feito pela Lia nos cadernos que ela produziu no primeiro ano, e nos projetos que realizou nas aulas de artes manuais. As crianças produziram muito, uma produção lindíssima, que fizeram com determinação e alegria.

colagem de Lia

Como em tudo o mais na vida, existem problemas, existe frustração, existe conflito. E lidamos com eles, e crescemos com eles.

Somos uma escola. Me incluo nela, porque aprendo com ela, e também porque ajudo a construí-la ativamente. Isso faz parte da natureza de uma escola Waldorf, e estou descobrindo que faz parte da minha natureza também.

Tem gente com muito mais habilidade do que eu para falar sobre o tema. Assisti a este vídeo pela primeira vez ha 2 anos, e ele continua me encantando como se o visse pela primeira vez.

Nasce uma leitora

Adoro livros e o Leandro também. E parece que a tradição familiar vai persistir. A Lia que também adora “ler”, teve sua paixão alimentada em natais, aniversários e dias das crianças pela tia Tuca, fiel freqüentadora da Livraria da Travessa. Foi um prazeroso aprendizado para as duas: descobrir que livros eram mais adequados para que fase. Nem sempre deu certo… lembro da cara dela lendo o livro que comprou sobre Tarcila do Amaral, Lia ouviu sem reclamar, mas quando saiu da sala foi a Clara quem disse pra mim: Nossa esse aqui é muito chato!

Entre as descobertas incríveis que trouxe para nós destaco:

O gato Tom e o tigre Tim, se você curte uma história meio psicodélica; Não é uma caixa, para você pensar fora da caixa e Diário de um papagaio, maravilhoso companheiro de passeios no Rio de Janeiro para saber mais sobre a mata atlântica.

Clara não está mais conosco, mas a sua presença se revela nos detalhes.

Ontem a Nina, de 1 ano e 3 meses, ficou pela primeira vez concentrada em um livro, o livro que a Clara deu para a Lia no dia das crianças de 2010. Ela está apaixonada pelas cores, pelos desenhos, pela Aranha e me emociono com essa tênue ligação entre o presente e o passado, criada através da única ponte capaz de conectar distâncias intransponíveis: o amor.

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A História da Aranha – com textos de Bernie Stringle e Jackie Robb, editora Atica –  é uma leitura curta, simples e fácil de acompanhar para os novos pequenos leitores, ideal para crianças de 2 a 3 anos.

A Nina discorda da faixa etária e recomenda!

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Quebrou o termômetro, o que fazer?

Se você tem filho pequeno sabe o que significam as noites com febre: o choro, a preocupação, a mão na testa observando a temperatura, e claro, o termômetro.

O que dizer quando no meio de toda a tensão o bendito termômetro quebra? Lembro que isso já aconteceu na minha casa quando eu era criança, minha mãe dizendo pra não colocarmos a mão, que aquilo era veneno… e eu dividida entre por a mão naquela coisa linda e brilhante e o medo de que aquilo fosse me matar.

Agora, adulta, sei dos riscos reais do mercúrio e quando ouvi o barulhinho do vidro quebrando, já me desesperei. Pensei em limpar mas eis que quando fui pegar o pano de chão pensei: será que pode limpar assim? Claro que não! Descobri como fazer no Santo Google.

Achei um artigo ensinando como limpar o mercúrio. Eis aqui o que eu usei:

  1. Rolo adesivo para limpar fiapos de roupas;
  2. Papel toalha;
  3. Saco plástico;
  4. Luvas de borracha;
  5. Conta gotas;

As gotinhas prateadas grudam no papel adesivo, mas não use o rolo… Solte uma folhinha e passe bem de leve sobre as bolinhas sem pressioná-las, passe apenas uma vez e descarte dentro do saco plástico. Faça isso várias vezes até acabar com todas as gotinhas. Você vai notar que algumas delas, as maiores, não grudam no papel, para essas use um conta gotas, sugue as bolinhas para dentro do conta gotas e depois descarte o conteúdo numa folha de papel toalha (já dentro do saco plástico). Depois de usar o conta gotas, descarte-o.

Use as luvas durante todo o processo. Evite caminhar sobre o local para evitar espalhar o mercúrio.

Quando terminar lacre o saco plástico e leve a um local de descarte para lâmpadas fluorescentes ou baterias de celular, parece que eles não são obrigados a aceitar este material, mas têm as condições necessárias para lidar com este resíduo tóxico.

Espero que nunca te aconteça, mas se acontecer… clique aqui >>