A gente fica mordido, não fica?

A primeira vez que o vi fiquei estarrecida. É homem ou é mulher? É gay? É transgênero? Como é que a gente pode chamar esta pessoa que tem barba de homem, movimento lânguido de mulher, olhar penetrante de vidente e uma voz que traduz tudo isso ao mesmo tempo?

Ele é sexy, o mais sexy de todos os seres que já vi sobre a terra.

Chamo ele de Liniker e fico grata pela sua juventude irreverente, suas letras pungentes, sua voz… maravilhosa.

Não cabe nem um décimo na malinha de mão, mesmo assim vale a tentativa de guardar este artista no coração.

On my own

Porque este aqui é o meu baú de memórias. A caixa forte das minhas lembranças – que espero seja para sempre um lugar seguro… e porque um dia, vou tentar lembrar desta música, dos meus dias de menina, de como uma grande emoção me invadia, e mesmo sem entender a letra, lágrimas rolavam pelo meu rosto.

Lá no fundo da minha memória haverá só um eco… Como pode isso desaparecer de mim? Não! Me recuso. Essa voz, essas palavras, essa menina… isso tudo me pertence e agora tomo posse. Se eu esquecer… passo aqui para lembrar!

 

On My Own

Nikka Costa

Sometimes I wonder where I’ve been
Who I am, do I fit in
Make belivin’ is hard alone
Out here on my own
We’re always provin’ who we are
Always reachin’ for that risin’ star
To guide me far and shine me home,
Out here on my own.

When I’m down and feelin’ blue
I close my eyes so I can be with you
Oh baby, be strong for me,
Baby, belong to me
Help me through, help me need you.

Until the morning sun appears
Making light of all my fears,
I dry the tears I’ve never shown
Out here on my own.

When I’m down and feelin’ blue
I close my eyes so I can be with you
Oh baby, be strong for me,
Baby, belong to me
Help me through, help me need you.

Sometimes I wonder where I’ve been
Who I am, do I fit in.
I may not win but I can’t be thrown,
Out here on my own
Out here on my own, on my own.

Princess Shaw

Ontem de forma descuidada acabei lendo um artigo muito bom na internet, mas desses que deixam o olhar da gente mais sombrio. Me peguei o dia inteiro carregando o peso da preocupação com  o futuro do mundo, e o desânimo da desesperança. Em pleno domingo? Sério?!

Pois é… Mas é quando menos se espera…

Fui assistir um filme totalmente desavisada, e encontrei alimento para a minha alma. Eu sou uma dessas pessoas que acredita (mesmo!) em tudo de bom que há na humanidade, tenho provas constantes de que somos (também) capazes de criar maravilhas.

Meu coração não cabe em mim cada vez que lembro deste ser humano: Kutiman. Ele é um cara, de Israel, que navega pela internet ouvindo músicas e sons, pega tudo isso, recorta e remonta criando belas sinfonias a partir do que muita gente de forma muito generosa pôs no mundo. E ele arremata sua bela obra de arte com elegância compartilhando todos os links dos trabalhos originais. Eu achei isso genial. Maravilhoso. Apaixonante.

Pois… Alguém disse que enquanto vemos imagens e músicas na internet, o Kutiman vê notas musicais. Eu discordo. Eu desconfio que além das notas ele enxerga histórias, e beleza. E é esta beleza que ele compartilha conosco.

Conheci o trabalho do Kutiman por causa do “Presenting Prices Shaw”, um filme um tanto estranho se a gente começa a se perguntar como é que foi feito… Mas deixando essa parte para lá, não tem como não se apaixonar por esta mulher que teve sim uma história cheia de dor e sofrimento, mas cuja alegria e a capacidade de amar são pungentes. Isso fica claro para mim quando ela encontra a ex-namorada, Olivia. Quando encontra pessoas pela rua, quando assiste outros músicos se apresentarem. Sempre fico muito grata e inspiradas por pessoas que mesmo tendo sofrido as maiores brutalidades, mantém a força de seguir amando. Samantha é assim. E sua alegria e charme me lembram muito alguém que amo demais!

Kutiman fazendo o que faz de melhor dá um presente para esta mulher que é como um cobertor quentinho em uma noite chuvosa e fria. É puro amor o que ele faz com a música da Princesa. Eu senti todo esse amor aqui.

Acho que vai demorar muito tempo (espero que sim), para que essa emoção se desvaneça em mim. Desde ontem ela me toma inteira. E eu me sinto mais viva, sabendo que existe gente por ai a fora que alimenta sonhos, que sente medo, que sofre, que ri por bobagens, que valoriza a amizade… Eu vi a estória da Samantha, e não posso deixar de pensar que cada nota naquela canção, carrega em si ao menos uma história… me perco em pensamentos imaginando quem são, caio no sono apaixonada pela humanidade.

A roda viva

Eis que às vezes me surpreendo comigo mesma e não sei de onde vem o que sinto. Pode ser qualquer coisa: uma reação meio atravessada no trabalho, um desânimo no final de semana, uma crise de riso inesperada… Vivo comigo há mais de quatro décadas… Não era de se esperar que conhecesse (muito bem) cada cantinho dentro de mim?

Nessas horas é sempre a voz do Chico que soa no meu ouvido e me conta de como a roda da vida mistura as coisas dentro e fora de mim.

 

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coraçãoA gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

1967 © by Editora Musical Arlequim Ltda.


Link: http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/roda-viva.html#ixzz42w4o083m

365 músicas no ano

Completamente apaixonada por este projeto/desafio criativo que Tiago Augusto, designer e publicitário lançou a si mesmo.

Nem é que gostei tanto assim dos cartazes, mas adorei a ideia de juntar arte gráfica e música, uma playlist visual. Já me deu vontade de ouvir um monte das músicas… algumas são icônicas, outras desconheço completamente.

E como os tempos são de transformar ideia em dinheiro, você ainda pode comprar o quadro das ilustrações e presentear alguém que ama. Genial né não?

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O site não é muito organizado… mas dá para entender e encontrar as músicas e os cartazes aqui ó: http://365-musica.tumblr.com/archive

Na quebrada

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E se eu te disser que existe um projeto maravilhoso numa quebrada de São Paulo, que vivência o melhor dos mundos todos os dias, e que o constroem com as próprias mãos, e que o fazem juntos… Você acreditaria?

O Jardim Ângela é um bairro que ficou famoso na década de 90, por ter sido apontado pelas Organizações das Nações Unidas como um dos lugares mais perigosos do mundo. Mas hoje, passei um dia tranquilo no jardim Ângela, me encantando mais uma vez com os detalhes de um projeto social que nasceu da abundância e riqueza presente naquela comunidade.

Hoje o bairro é famoso por outros motivos, e me orgulho de conhecer cada vez mais de perto um deles. Um prédio, no final da rua 2, moram 7 famílias, um estúdio de música, um sistema de produção de biogás, dois chuveiros à base de energia solar, um sistema de coleta de chuva e se preparam para receber a cozinha que irá abrigar o novo projeto de produção de alimentos vegetarianos.

Não tem como não amar… cada vez que visito este lugar e estas pessoas volto com o coração transbordando de alegria, amor e fé na humanidade.

No domingo tem Samba na 2, com gravação de DVD ao vivo de prata da casa: D. Samanta, sambista de 70 anos.

Com certeza volto lá. Eu e outras 1.000 pessoas. E você, vem?

O buraco da minhoca

Achei muito engraçado este termo a primeira vez que ouvi… Me dou conta que sei muito pouco desta faceta da ciência, que é capaz desse tipo de criatividade e humor.

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O nome é engraçado, e a definição é tão louca que parece saída de uma das páginas de Alice no país das maravilhas… ou será o contrário? Acho bem possível que o tal coelho é que tenha saído do buraco da minhoca e atravessado dimensões para chegar até a Alice… Ahá! Tudo explicado… me pergunto o quanto Lewis Carroll conhecia de física!

Esse tema surgiu na minha cabeça por causa de um filme que assisti no final de semana, e teve tudo a ver com um tanto de acontecimentos maravilhosos e assustadores que aconteceram estes últimos dias. Realmente não é tão fora da realidade assim esta ideia de que existe um caminho mágico com duas bocas capaz de ligar e transpor grandes, incomensuráveis, distâncias no tempo e no espaço.

Transportar matéria através do tempo e do espaço… impossível? Possível. Entrei em um buraco de minhoca este final de semana e de repente me vi em outra dimensão, revisitando e reconectando dois mundos. De repente estávamos eu e Adriana – minha amiga de loooonga data, uma das pessoas que mais me conhece no mundo, uma das pessoas que mais amo no mundo – rindo a risada que riamos a mil anos, e chorando as lágrimas que choramos a mil anos… e ao mesmo tempo criando o novo, um presente que fortalece e alimenta a nossa amizade.

Como sempre, uma das melhores formas de explicar uma experiência para mim é a música, e este final de semana teve a sua trilha sonora. Adoro Caetano Veloso e sua poesia, e dentre tantas músicas que amo, tem uma que nunca consigo decorar, ouvi outra versão, muito diferente da original e mesmo assim maravilhosa.

em 1979 esta música soava assim

Mas se agente entrar no buraco da minhoca, passar pelo fim da ditadura, virar a esquerda na eleição do Lula, à direita de novo com o atentado aos Estados Unidos, curva fechada após o advento do aquecimento global e passar pela parte esburacada que estamos atravessando, saímos do outro lado do buraco bem a tempo de escutar os acordes da Scambo dando uma nova roupagem para uma antiga música que continua falando muito à minha alma:

Realmente esse conceito traz luz ao que nem sempre é fácil de compreender… pessoas que são mais de uma coisa e tem mais de uma “dimensão”, situações e sentimentos idem. E antes que este post já tão confuso fique ainda pior… fui!

Adorei esse tal buraco de minhoca… está nos meus planos entrar e sair mais vezes dele e me surpreender e encantar com velhos e novos lugares dentro da minha alma.

* O Filme, para que não fique faltando informação, se chama Interestelar – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-114782/