A roda viva

Eis que às vezes me surpreendo comigo mesma e não sei de onde vem o que sinto. Pode ser qualquer coisa: uma reação meio atravessada no trabalho, um desânimo no final de semana, uma crise de riso inesperada… Vivo comigo há mais de quatro décadas… Não era de se esperar que conhecesse (muito bem) cada cantinho dentro de mim?

Nessas horas é sempre a voz do Chico que soa no meu ouvido e me conta de como a roda da vida mistura as coisas dentro e fora de mim.

 

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coraçãoA gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

1967 © by Editora Musical Arlequim Ltda.


Link: http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/roda-viva.html#ixzz42w4o083m

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Por onde ando

Por onde ando que meu coração não me acompanha?

Por onde passo que a minha sombra caminha ligeira dois passos à minha frente?

Se alguém bate à porta do meu ser ouço muito longe as batidas

E meus passos lânguidos, pesados, lentos

Ao invés de me levarem à porta, me enterram mais fundo dentro de mim.

Melancolia ou poesia?

Por uma escola colorida e diversa

Isso me inspira.

Parece muito com a imagem dos meus sonhos, uma variedade de cores, uma variedade de texturas uma escola que reproduz o tecido da sociedade: encontramos dentro da escola toda a diversidade que se reproduz fora dela, nas ruas.

Uma nova paixão revelada

Quem me conhece sabe que eu tenho desenvolvido e alimentado uma paixão pela costura. É um amor bandido que as vezes me maltrata, já que o meu nível de perfeccionismo não é acompanhado pela minha habilidade.

Mesmo assim eu insisto, mesmo assim eu persisto e nesta relação tenho produzido belezas imperfeitas que me fazem supreendentemente feliz, que me ajudam a fazer outras pessoas felizes e que fortalecem a minha confiança em mim mesma. Um passo de cada vez.

Este fim de semana descobri um aspecto novo e não totalmente explicito da minha paixão: eu gosto de produzir brinquedos para crianças. Faço roupinhas, bolsas, coisas para a casa… Mas nada me deixa tão feliz quanto os brinquedos!

Esta revelação veio com as últimas peças produzidas, que estão imperfeitas (como sempre) mas tão lindas!

O molde e o tutorial são da Dana e você encontra aqui (em inglês, se precisar de ajuda para entender eu posso ajudar). O tutorial e os moldes custam USD 8,00, tem 36 páginas e te permite fazer os tamanhos pequeno, médio e grande.

Colegem 1 colagem 2

Waldorf com sotaque

Escutei uma vez uma história que me pareceu ser uma lenda.

Até hoje repito com tom de brumas de Avalon. A história é a seguinte: vai chegar um dia, durante a educação da minha filha na nossa escola Waldorf Santos, em que ela, junto com seus coleguinhas e professoras, vai assar um pão que ela fez, com a farinha que ela produziu, do trigo que ela plantou e colheu, em um forno de barro que ela construiu.

Achei a história simbólica e linda, mas para dizer a verdade, achei que não era mais do que uma história, até me deparar hoje com a escola La Primula, de Roma, e sua campanha por recursos para a construção de um forno de barro!

Captura de Tela 2015-07-02 às 00.28.56E a terra se fez forno – História de um sonho amassado a mão

O projeto

No nosso jardim havíamos semeado um pequeno campo de grãos. Ano após ano, colhemos o fruto da terra e do nosso trabalho. Amassamos os grãos e moemos a farinha com as nossas mãos.

Hoje queremos dar um passo adiante: amassar a terra com palha para construir um forno com as nossas mãos. Dentro deste forno assar o pão… E convidar a todos os amigos do bairro! Assim de uma pequena semente poderá nascer uma comunidade reunida no perfume do pão recém assado.

A tradução é livre, você pode ler a historia completa no blog da escola clicando aqui>>

Estamos construindo com as nossas próprias mãos uma escola Waldorf em Santos, estamos construindo uma comunidade. E histórias como esta alimentam e fortalecem o meu sonho, regado a cheiro bom de pão assado na hora e acordes suaves de boa música. É verdade na Itália e é verdade aqui… bem no nosso quintal!

A distância entre dois

Parece que o tema inspirador da semana é mesmo a amizade.

Ontem à noite lembrei de uma troca de presentes muito especial: ganhei um convite para assistir um show de uma artista que não conhecia e dei de presente a mesma coisa.

Foi assim que Mariana Aydar entrou na minha vida, com sua voz pulsante, letras instigantes, um sambinha que dá vontade de dançar e uma letra que nos leva para dentro de nós mesmos. Adorei o show, adorei a música e este sem dúvida é um daqueles momentos que passou a fazer parte do mosaico de histórias de quem sou.

Na minha vez de presentear ofereci Paulinho Moska, que chega no palco com uma presença teatral, circense, hipinotizante e nos brinda com um toque de sensualidade, uma intimidade que nos faz pensar que somos amigos de longa data, ou desejar que fôssemos. E eu que não bebo uma gota de álcool, me imagino tomando uma cerveja, olhando o por do sol e compartilhando histórias da vida inteira.

Esta semana não é apenas de amizade, mas é também de saudades, essa palavra não é a única coisa que me liga à terra além mar, Portugal. Há muito tempo ganhei de lá uma filha, uma amiga, uma irmã. Trocamos histórias, trocamos músicas, saberes, risadas e lágrimas. Aprendemos e ensinamos. E provamos que a menor distância entre dois seres humanos é um abraço.

Se tiver vontade, abrace alguém hoje. É o maior presente que se pode dar, e receber.

Por um domingo prosaico

Captura de Tela 2015-06-07 às 11.10.56

Ainda ontem falava com uma amiga sobre a qualidade do cinema francês de nos presentear com a simplicidade, na verdade ela é quem falava isso para mim 🙂

Sei que por traz daquela simplicidade tem muita técnica e conhecimento. Mas adoro mergulhar em umas histórias simples e nem por isso menos emocionantes e nem por isso menos apaixonantes.

Outro dia tropecei por acaso na linda história de Germain, um homem simples e rude, que encontra Margueritte – uma senhora culta e sofisticada, e deste encontro improvável, no mais bucólico dos cenários, surge a oportunidade da grande aventura humana: encontrar o outro e encontrar a si mesmo.

Minhas tardes com Margueritte é um filme francês dirigido por Jean Becker com Gerard Dupardieu e Gisèle Casadesus que conta uma linda história de amor, nos lembrando que existe amor para além do romance holliwoodiano, e que é este mesmo o tipo de amor que tem o poder de fortalecer e curar a nossa alma.

Me apaixonei, e recomendo para quem quer encontrar aquele recanto de encantamento dentro de si, através do cinema.

Se não acredita em mim… veja o trailler.