Jogando para mudar o mundo?

// Texto publicado no site do Instituto Elos em 09 de Abril de 2010, meu primeiro texto sobre jogos… Amei fazer!


// Andamos espalhando por ai a idéia de que mudar o mundo não apenas é possível, como pode ser divertido. Parece que muita gente, muito séria, partilha dessa opinião.

“O jogo é a mais elevada forma de investigação”

Quem disse isso foi Einstein, aquele mesmo, da teoria da relatividade. E esta frase revive no discurso inspirador, apaixonado e vibrante de Jane McGonigal.

A designer de jogos do Institute for the Future convence, seja falando diante de uma grande audiência, seja usando sua peruca azul diante da webcam. Seu objetivo para a próxima década é ambicioso: fazer com que salvar o mundo na vida real, seja tão fácil quanto em um jogo virtual. Se eu fosse você não duvidava… Saiba o que ela tem feito para tornar esta meta realidade.


“Para resolver problemas urgentes como fome, pobreza, mudança climática, conflitos globais, obesidade, precisamos jogar por cerca de 21 bilhões de horas por semana, até o fim da próxima década.” Este número é simplesmente 7 vezes maior do que o praticado atualmente. E muita gente já considera tempo demais perdido com jogos.

Talvez você esteja se perguntando: É isso mesmo? Ela está falando sério? Estimular os jovens a passar ainda mais tempo diante do computador, jogando?

Sim. Ela está falando seríssimo, e passei a prestar atenção no momento em que começa a descrever atitudes dos jogadores que eu gostaria de reconhecer mais vezes em mim mesma na vida real. Durante uma apresentação para a platéia do TED a designer descreve a atitude do jogador diante dos desafios do jogo: disposto a ajudar quem precisa, dedicar-se a resolução do problema pelo tempo necessário e o mais importante, diante de um obstáculo ou derrota, o jogador está sempre disposto a tentar de novo. No jogo, diz McGonigal, nos aproximamos da melhor versão de nós mesmos.

Mudando de atitude através dos jogos

O jogador é um ser intrépido: calcula, arrisca, planeja, executa. Jogando somos mais criativos, focados, eficientes. Como transpor essa atitude empreendedora, inovadora mesmo, da tela para a vida?

A proposta de Jane é sedutora e o apelo é convicente: criando jogos capazes de provocar as pessoas a inventar soluções para questões que as afetam diretamente no seu cotidiano.

Um exemplo é o jogo World Without Oil–WWO ( Mundo Sem Petróleo). O cenário são as primeiras 32 semanas em um mundo sem o precioso ouro negro. Uma comissão de cidadãos é criada para mapear e registrar todos os acontecimentos e também para compartilhar as soluções.


A experiência on-line reune os elementos básicos de jogo: objetivo, regras, desafio. À receita adicionou-se características dos jogos cooperativos : não existem perdedores, não existem ganhadores ou prêmios e uma boa jogada de uma pessoa gera benefício para toda a comunidade. O resultado final é uma mostra do que a inteligência coletiva é capaz de; um laboratório de hipóteses criado por milhares de mentes.

O melhor de tudo, segundo os pesquisadores envolvidos com o projeto: a participação no jogo gerou transformação de atitude na vida real dos jogadores.

“Para mim, aqui e agora, sou uma pessoa diferente graças ao WWO. Sou muito mais consciente da fragilidade do fio que sustenta o estilo de vida que mantenho. Estou fazendo mudanças, mas ainda tenho um longo caminho. Mas EU ESTOU mudando, e isto significa que para mim, o WWO foi um sucesso.” Mtalon (jogador)

Em outra aventura, McGonigal e uma equie de experts apresenta um mundo possível no ano de 2019, enquanto os jogadores são desafiados a mostrar formas de viver nesta realidade. Um jogo rico em detalhes construídos com muita veracidade. O Superstructure foi ao ar de 6 de outubro a 17 de novembro de 2008 e no final apresentou relatórios com os principais insigths e estratégias criadas pelos jogadores para enfretar asSuperameaças criadas por um time de 25 especialistas.

Se você ficou com vontade de embarcar em uma dessas aventuras, aceitar um desafio e criar soluções para problemas reais do mundo, a bola da vez é o Urgent Evoke.

De estética impecável, no Evoke o time do Institute for the Future constrói narrativas sólidas capazes de nos transportar ao mundo do jogo, ao mesmo tempo em que traz à tona questões tão cotidianas, que embarcar nessa realidade não é nada difícil.


Um curso de mudar o mundo, que dura dez semanas, essa é a descrição que você vai encontrar no site. O objetivo é de empoderar jovens em todo mundo, mas especialmente na Àfrica, incentivando-os a encontrar soluções para os mais urgentes problemas sociais da atualidade.

A primeira sessão do Urgent Evoke termina no dia 12 de Maio, quando os participantes se graduarão, como a primeira turma da rede Urgent Evoke.

Termina o jogo virtual começa a mudança real

O Urgent Evoke se diferencia dos jogos anteriores, pois faz uma ponte direta com a transformação real. A última tarefa do jogo, a Evokation, é um plano de ação, uma descrição clara de um projeto a ser implementado. A entrega da Evokation dá ao jogador a chance de receber:

  • Orientação on-line de líderes executivos e inovadores sociais;
  • Bolsa para participar primeiro seminário Evoke em Washington DC;
  • Fundo semente para iniciar seu empreendimento social

Essa estratégia está diretamente ligada ao modos operandis do Banco Mundial, desenvolvedor do jogo criado sob a direção de McGonigal. Para não dizer que tudo são flores, ao longo desta pesquisa não encontrei forma para os não falantes de inglês participarem do jogo e das discussões, espero que isso seja corrigido, afinal a gente quer mudar o mundo em muitas línguas e dialetos.

Se você como eu, está morrendo de curiosidade para saber aonde isso tudo vai dar… basta esperar até 12 de maio para descobrir. A dúvida é, você vai esperar de fora, ou vai entrar neste jogo?

Val Rocha

Agente Urgent Evoke


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