O melhor emprego do mundo

Adoro ir ao quarto das meninas no meio da noite e ajeitar o cobertor… adoro isso!

Anúncios

O dicionário vivo

A definição não é do Aurélio – o mais-mais da minha época – mas serve:

a.ban.do.nomasculino [Datação: 1772]

  1. ato de abandonar
  2. desamparo total
  3. renúncia
  4. desprezo
  5. desleixo

Lia é uma menina muito inteligente. Ela aprende novas palavras a cada dia e as utiliza de forma adequada na primeira oportunidade que se apresenta. Hoje foi um desses dias que me senti uma mãe atenta e presente, o que não sou sempre.

Logo cedo, brincando com suas bonecas enquanto eu checava os e-mails, ouvi quando a filha da Barbie disse:

– Oh não! Fiquei perdida e agora minha mãe me abandonou e adotou outra filha!

Lia então levou a pequena Barbie para perto da mãe Barbie que agora tinha uma Polly como filha. Não deu para ouvir o resto da conversa, mas ficou tudo bem e logo a pequena Barbie e a Polly eram irmãs queridas.

No segundo episódio do dia, a filha mais problemática da Lia, estava com a perna machucada. Lindinha é uma boneca que fala, que ja está bem velha, cabelo embaraçado, e há muito tempo já não tem roupa. Lia sempre fala de como a Lindinha se comporta mal: ela bate, responde, não obedece, não come… Lindinha é o cão!

Mas desta vez ela foi a vítima.. Lia me disse que o primo da Lindinha o machucou. Ela disse também que era um menino muuuuito mal criado:

– Ele bate na mãe, ele morde, ele faz muita mal criação! E ele bateu na lindinha aqui na perna ó.

E continua:

– Ele é tão mal criado que a mãe dele ficou cansada e abandonou ele!

Tivemos um dia cheio… mas no finalzinho da tarde com a Nina (2 meses) alimentada e dormindo em berço esplêndido eu e Lia ficamos brincando na sala até que eu puxei o assunto:

– Sabe filha, você me contou que a mãe do primo da Lindinha o abandonou porque ele era muito mal-criado. Mas eu queria te dizer que não é isso que os pais fazem, quando uma criança se comporta mal eles educam, não abandonam. Eu nunca vou te abandonar.

– Mas se eu me comportar muuuuito mal, você pode até me abandonar, né?

– Não… se você fizer mal-criação eu te coloco de castigo, e continuo te amando. Se você pular no sofá, eu brigo com você, e continuo te amando. Se você bater em alguém… castigo de novo. Mas nunca vou te abandonar, porque você é minha filha e eu te amo, porque eu iria te abandonar?

– Mas e se você se esquecer de mim? Ai você me abandona, né?- E fez uma carinha que misturava coragem e medo de ouvir a resposta…

– Como eu poderia esquecer de você?

– Brincando só com a Nina, o tempo todo.

– Ahhh… mas isso não acontece, porque eu tenho um tempo que é só para você, tem coisas que só você sabe fazer e eu adoro ficar com você, sozinha… como estamos agora. Ela riu e me abraçou forte.

Às vezes a gente tem que ir além do discurso… na verdade com as crianças, precisamos fazer isso o tempo todo.

#aprendendocomosfilhos

“Que tipo de mãe você é?”

Gosto de ler revistas, minha favorita no momento é Casa e Comida da editora globo, amo as receitas e soluções criativas para ter uma mesa bonita e para receber os amigos.

Ganhei do maridão a última edição da Pais e Filhos, pelo meu óbvio interesse em assuntos que dizem respeito ao relacionamento com as crianças. Na capa o título de um artigo chamou a minha atenção: “Que tipo de mãe você é?”

O artigo, da coluna saúde, apresenta uma classificação de estilos de alimentação criada por Sheryl Hughes e sua equipe  no Centro de Pesquisa  Nutrição Infantil de Huston, distinguindo quatro padrões diferentes. Entendo que se trate de uma pesquisa científica e meu julgamento é que nem sempre os cientistas são experts em se relacionar com pessoas, ler o artigo, só reforçou esse meu preconceito.

Os padrões apresentados são os seguintes:

  • A doida ( controladora) – só come comida saudável e exige o mesmo das crianças;
  • A mole (permissiva) – Essa aqui tem boas intenções, mas por causa da culpa, acaba cedendo sempre;
  • A equilibrista (responsiva) – essa é a mãe perfeita,  presta atenção ao filho e oferece opções saudáveis sem ser radical;
  • A nem ai (negligente) – essa é a pior mãe do mundo, ela não sabe da alimentação das crianças e nem quer saber, ela come mal e não vê problema se os filhos seguem seu exemplo;

Esse é um resumo groceiro do que li na revista e você pode ler o artigo na integra aqui ó. Mas vamos ao que me intrigou: fiquei em dúvida com relação ao objetivo do artigo, apesar do texto dizer que “ao compreender o seu estilo, é mais fácil achar estratégias para o desenvolvimento do seu filho…”.

Pra ser bem honesta, me considero uma combinação da “controladora”, com a “mole” e a “equilibrista”. Graças a Deus não me reconheci como a “negligente”, ufa! Acho que as mães “negligentes” não lêem essa revista… não combina com o perfil.

Pensando em Comunicação Não Violenta, achei a classificação muito violenta, acho difícil que os rótulos usados ali dificultam que as  pessoas se reconheçam na classificação. Se você é mãe, deve saber que o tempo inteiro nos sentimos julgadas, o tempo inteiro queremos ser melhores, queremos o melhor para os nossos filhos, sempre.

O que gostei mesmo foram das dicas para equilibrar sua forma de lidar com o tema alimentação com as crianças, achei útil e inspirador.

Outro aspecto que me intrigou foi que o artigo está dirigido apenas às mães… aqui em casa a educação alimentar é uma responsabilidade compartilhada entre os pais, e acho importante não reforçar o estereótipo da mãe que cuida de tudo e o pai que sempre responde “pergunta pra sua mãe”… Ainda que isso ainda aconteça de vez enquando, mesmo nas melhores famílias.

E você? que tipo de mãe ou pai você é?