A distância entre dois

Parece que o tema inspirador da semana é mesmo a amizade.

Ontem à noite lembrei de uma troca de presentes muito especial: ganhei um convite para assistir um show de uma artista que não conhecia e dei de presente a mesma coisa.

Foi assim que Mariana Aydar entrou na minha vida, com sua voz pulsante, letras instigantes, um sambinha que dá vontade de dançar e uma letra que nos leva para dentro de nós mesmos. Adorei o show, adorei a música e este sem dúvida é um daqueles momentos que passou a fazer parte do mosaico de histórias de quem sou.

Na minha vez de presentear ofereci Paulinho Moska, que chega no palco com uma presença teatral, circense, hipinotizante e nos brinda com um toque de sensualidade, uma intimidade que nos faz pensar que somos amigos de longa data, ou desejar que fôssemos. E eu que não bebo uma gota de álcool, me imagino tomando uma cerveja, olhando o por do sol e compartilhando histórias da vida inteira.

Esta semana não é apenas de amizade, mas é também de saudades, essa palavra não é a única coisa que me liga à terra além mar, Portugal. Há muito tempo ganhei de lá uma filha, uma amiga, uma irmã. Trocamos histórias, trocamos músicas, saberes, risadas e lágrimas. Aprendemos e ensinamos. E provamos que a menor distância entre dois seres humanos é um abraço.

Se tiver vontade, abrace alguém hoje. É o maior presente que se pode dar, e receber.

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As surpresas da vida

Um dos maiores prazeres da vida para mim é poder enxergar a vida a partir da perspectiva dos outros. É isso que me apaixona na música e nos filmes. Mas é também este um dos maiores prazeres de ter uma boa conversa com um amigo.

Um dia, uma amiga querida me confidenciou: não somos capazes de construir amizades profundas depois dos 30 anos. Fiquei estarrecida diante desta revelação… Hoje sei que isso não é verdade. Acredito que paramos de construir amizades profundas quando deixamos ou esquecemos de nos lançar ao encontro do outro.
Não é possível controlar os encontros que aparecem nas nossas vidas, mas é possível controlar como reagimos a tais encontros.
Cada vez que estive aberta e receptiva ganhei um presente, porque as amizades são presentes que tem o poder de nos conectar de volta à nossa alegria e prazer de estar na presença de outro ser humano.

Sou uma mulher de 43 anos que ainda faz amigos para a vinda inteira… mesmo que a “vida inteira” agora já não seja a mesma eternidade que se estendia diante dos meus 18 anos.

O buraco da minhoca

Achei muito engraçado este termo a primeira vez que ouvi… Me dou conta que sei muito pouco desta faceta da ciência, que é capaz desse tipo de criatividade e humor.

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O nome é engraçado, e a definição é tão louca que parece saída de uma das páginas de Alice no país das maravilhas… ou será o contrário? Acho bem possível que o tal coelho é que tenha saído do buraco da minhoca e atravessado dimensões para chegar até a Alice… Ahá! Tudo explicado… me pergunto o quanto Lewis Carroll conhecia de física!

Esse tema surgiu na minha cabeça por causa de um filme que assisti no final de semana, e teve tudo a ver com um tanto de acontecimentos maravilhosos e assustadores que aconteceram estes últimos dias. Realmente não é tão fora da realidade assim esta ideia de que existe um caminho mágico com duas bocas capaz de ligar e transpor grandes, incomensuráveis, distâncias no tempo e no espaço.

Transportar matéria através do tempo e do espaço… impossível? Possível. Entrei em um buraco de minhoca este final de semana e de repente me vi em outra dimensão, revisitando e reconectando dois mundos. De repente estávamos eu e Adriana – minha amiga de loooonga data, uma das pessoas que mais me conhece no mundo, uma das pessoas que mais amo no mundo – rindo a risada que riamos a mil anos, e chorando as lágrimas que choramos a mil anos… e ao mesmo tempo criando o novo, um presente que fortalece e alimenta a nossa amizade.

Como sempre, uma das melhores formas de explicar uma experiência para mim é a música, e este final de semana teve a sua trilha sonora. Adoro Caetano Veloso e sua poesia, e dentre tantas músicas que amo, tem uma que nunca consigo decorar, ouvi outra versão, muito diferente da original e mesmo assim maravilhosa.

em 1979 esta música soava assim

Mas se agente entrar no buraco da minhoca, passar pelo fim da ditadura, virar a esquerda na eleição do Lula, à direita de novo com o atentado aos Estados Unidos, curva fechada após o advento do aquecimento global e passar pela parte esburacada que estamos atravessando, saímos do outro lado do buraco bem a tempo de escutar os acordes da Scambo dando uma nova roupagem para uma antiga música que continua falando muito à minha alma:

Realmente esse conceito traz luz ao que nem sempre é fácil de compreender… pessoas que são mais de uma coisa e tem mais de uma “dimensão”, situações e sentimentos idem. E antes que este post já tão confuso fique ainda pior… fui!

Adorei esse tal buraco de minhoca… está nos meus planos entrar e sair mais vezes dele e me surpreender e encantar com velhos e novos lugares dentro da minha alma.

* O Filme, para que não fique faltando informação, se chama Interestelar – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-114782/

Compartilhando tesouros

Acabei de descobrir e estou a-pai-xo-na-da… não, apaixonadissima!

O blog do Marcelo Bergamo, achei tudo de muito bom gosto e cheio de emoção e detalhes, do jeitinho que gosto. E com receitas! Não podia ser melhor. Mal posso esperar para testar a receita do bolo de maçã com mel este final de semana, quem vier visitar a família que cresceu vai poder conferir… infelizmente não vai ficar lindo assim como o do Marcelo, já que eu não tenho uma forma de bolo legal que nem essa.

Mas o que me encantou mesmo, e aliás o que me levou ao blog, foi a história do jantar oferecido a uma amiga. Vi no menu, na apresentação dos pratos, na escolha das cores, um capricho e um carinho que me comoveram. Tudo isso me lembrou as minhas próprias amizades e como eu adoraria fazer um almoço ou jantar como esse para honrar  pessoas que fazem parte da minha vida e que só por existirem acrescentam cor aos meus dias.

Não precisa acreditar nas minhas palavras… leia aqui história sob o ponto de vista do Marcelo e aqui sob o ponto de vista da Glau do blog Quitandoca.

E para te inspirar algumas fotos do Blog do Bergamo*:

*Autoria das fotos é da Glau do Quitandoca.